Novo estudo mostra que 56 milhões de abortos são feitos anualmente em todo o mundo

ultrasound_baby_turning_810_500_55_s_c1

De acordo com um novo estudo publicado no periódico The Lancet, todos os anos são realizados 56 milhões de abortos ao redor do mundo. Isso significa que uma em cada quatro gravidezes no mundo termina em aborto.

Os pesquisadores afirmam que, na verdade, a taxa global de abortos está caindo. Porém, especialistas pró-vida contestam as conclusões dos autores, segundo as quais leis pró-vida não reduzem o número de abortos e a disponibilidade universal de contraceptivos é uma política mais adequada.

O estudo comparou o número de abortos entre 2010 e 2014 com o número de abortos feitos entre 1990 e 1994. Embora o número total tenha sofrido um aumento de mais de 5 milhões, a taxa média de abortos caiu. Em todo o mundo a taxa de aborto é hoje de 35 por 1.000 mulheres entre 15 e 44 anos – ao passo que, na década de 1990, era de 40 por 1.000.

Porém, o estudo mostra que a queda não ocorreu igualmente em todo o mundo.

“As taxas de aborto caíram significativamente desde a década de 1990 nos países desenvolvidos, mas não nos países em desenvolvimento,” escreveram os autores.

Também afirmaram que, na maioria dos países desenvolvidos, o aborto é legal, embora seja proibido por lei nos países com maiores taxas de aborto [comentário de NotiFam: parece haver algum erro nessa conclusão, pois nos EUA, país em que o aborto é legalizado em todas as etapas da gravidez desde 1973, são feitos anualmente cerca de 1.500.000 abortos por ano; no Brasil, por sua vez, país onde o aborto é proibido, o número de abortos é de cerca de 100.000 por ano].

“Garantir o acesso à saúde sexual e reprodutiva poderia ajudar milhões de mulheres a evitarem gravidezes não desejadas e garantir o acesso ao aborto seguro”, concluíram.

A blogosfera pró-escolha e seus intelectuais simpatizantes aproveitaram o estudo para criticar as legislações pró-vida.

A Dra. Diana Greene Foster, da Universidade da Califórnia, que não participou do estudo, escreveu: “A interpretação óbvia é que a criminalização do aborto não impede que ele seja feito. Ao contrário, faz com o que as mulheres sejam levadas a procurar os serviços ou métodos ilegais”.

A página Slate.com disse isso num texto intitulado: “De acordo com novo estudo, as leis anti-aborto não reduzem as taxas de aborto, mas os contraceptivos reduzem.”

No entanto, essas conclusões estão erradas por várias razões, segundo alguns líderes pró-vida que conversaram com LifeSiteNews.

As leis pró-vida salvam vidas, dizem especialistas

“Há bons dados públicos sobre saúde que mostram que a incidência de aborto é significativamente afetada por seu status legal”, disse o Dr. Michael New, professor de economia da Universidade Ave Maria, na Flórida. “Há bons dados de pesquisa que mostram que o aumento de leis pró-vida gera um efeito”.

“Em uma revisão da literatura, o Instituto Guttemacher identificou pelo menos 15 estudos que descobriram que o financiamento do aborto pela Medicaid provocou um aumento no número de abortos”, disse ele. O instituto, que começou como a vertente de pesquisa da Planned Parenthood, “reconheceu que os estudos com maior consistência metodológica descobriram que o financiamento do aborto pela Medicaid provou um aumento significativo no número de abortos”.

O status do nascituro perante a lei influencia o número de abortos em todos os países, disse o Dr. New, que estudou o rema rigorosamente.

Ele citou um estudo realizado por Philip B. Levine and Douglas Staiger em 2004 para o Journal of Law and Economics, que analisou os países do leste europeu que mudaram suas políticas em relação ao aborto após a queda do Comunismo.

“Os autores concluíram que restrições modestas ao aborto reduziram as taxas em cerca de 25%”, disse o Dr. New ao LifeSiteNews.

“Até nos Estados Unidos, após Roe vs. Wade, o número de abortos aumento de 900.000 para 1.500.000 (um aumento de 66%) entre 1974 e 1980”, disse e ele.

Ele também disse que o estudo pode ter ignorado uma explicação mais simples para a disparidade no número de abortos.

Ignorando outros fatores

A maioria dos países que restringem o aborto legalmente estão na África, na América do Sul e no Oriente Médio”, os quais normalmente têm taxas de pobreza mais elevadas do que os países ocidentais nos quais o aborto é legalizado, disse o Dr. New. “Eles também têm uma incidência muito maior de diversas patologias sociais que podem aumentar a demanda pelo aborto”.

Ele observou que “frequentemente os jornalistas da grande mídia não levam em conta esse aspecto”.

Também acrescentou que, embora não tenha visto “nenhum erro metodológico sério” [no estudo], os pesquisadores poderiam ter “dúvidas legítimas a respeito da confiabilidade dos dados sobre saúde fornecidos por outros países – particularmente a confiabilidade dos dados relativos ao aborto em países nos quais a prática é restrita”.

Especialistas pró-vida discordaram da sugestão, feita no estudo, segundo a qual a implementação do controle de natalidade nos países em desenvolvimento é a solução para as elevadas taxas de aborto.

Contracepção, não causa

A ideia segundo a qual a difusão do acesso à contracepção reduz o número de abortos é desmentida pelas próprias descobertas do estudo, disse o Dr. New.

“Dentre todas as regiões do mundo, a que teve o maior aumento na taxa de aborto foi a Europa ocidental (bastante receptiva aos contraceptivos) entre 1990 e 2014”, disse ele.

“Talvez o acesso à contracepção não seja tão eficaz quanto dizem os autores”.

Isso confirma a conclusão de estudos realizados na Suécia e na Espanha, os quais descobriram que o aumento do uso de contraceptivos levou a um aumento no número de abortos.

“A ciência provou, sem sombra de dúvida, o fato de que o acesso à contracepção não diminui o número de abortos”, disse Judie Brown, fundadora da American Life League. “Na verdade, é o amplo acesso à contracepção que contribui para o aumento no número de abortos”.

Abortivos não diminuem o número de abortos

As conclusões do estudo sobre a relação entre a contracepção e o aborto também são enganosas, porque o controle de natalidade hormonal – especialmente os contraceptivos reversíveis de ação prolongada, muitas vezes considerados os “métodos de contracepção mais eficazes” – podem agir como abortivos, impedindo a implantação de um embrião.

“A maioria dos métodos de aborto químico abortam nascituros durante a primeira semana de vida, já que tais pílulas interferem no revestimento uterino”, disse Brown. “Isso provoca aborto” em vez de evitá-lo.

“Já passou da hora de os escritores da Lancet olharem com mais rigor para seus supostos fatos e reconhecerem que a propaganda nunca faz bem para as boas descobertas científicas”, disse ela.