Ativistas LGBT afirmam que o atentado em Orlando deveria ser usado para promover sua agenda política

LGBT flag

Na semana passada, o mundo parou para lamentar o ataque terrorista em Orlando, mas alguns ativistas LGBT reclamaram que os políticos usaram a tragédia para promover a agenda política errada.

Líderes LGBT dizem que o atentado na boate gay, no qual morreram 49 pessoas, deveria ter sido usado para pressionar as comunidades a garantirem direitos civis aos LGBT – uma proposta que, por exemplo, exigiria que locais públicos permitissem pessoas de um sexo utilizarem banheiros e vestiários destinados ao sexo oposto.

Nos dias subsequentes à tragédia, Donald Trump proferiu um discurso sobre sua proposta de suspender temporariamente a imigração islâmica para os Estados Unidos. O presidente Barack Obama e os Democratas ressaltaram que é necessário haver medidas mais rígidas de controle de armas. O congressista Jim Himes se recusou a participar do momento de silêncio em homenagem às vítimas do atentado. Em vez disso, ele disse que os legisladores precisam aprovar leis para frear a “violência causada por armas de fogo”.

Mas até o momento o tiroteio tem sido pouco usado para promover projetos de lei que favoreçam a comunidade LGBT, como a Lei de Igualdade, considerada por críticos uma ameaça à liberdade religiosa.

“Em lugar da discussão sobre a não discriminação, passamos a discutir outras questões”, disse Charlie Dent, político republicano da Pensilvânia que vota fielmente a favor das posições da esquerda a respeito do aborto e de outras questões sociais.

O senador Bob Casey apresentou um projeto de lei que visa proibir a posse de armas por qualquer culpado de crime de ódio.

“Nenhuma lei anti-armas teria impedido aquele assassino”, disse Mat Staver, do Liberty Counsel. “Timothy McVeigh usou fertilizante comum para matar 168 pessoas e ferir mais de 600”.

“Nem cristãos, nem leis de proteção à liberdade religiosa, nem líderes conservadores, nem leis sobre uso banheiros foram responsáveis pelo massacre de pessoas inocentes perpetrado por Omar Mateen”, disse ele.

Mas algumas pessoas querem que o tiroteio seja lembrado, acima de tudo, como um ataque especificamente contra homossexuais. No início da semana passada, Raven-Symone questionou o fato de o atentado ter sido planejado como um ato terrorista.

“Considero o atentado um crime de ódio e, em seguida, um ato terrorista; em terceiro lugar, algo terrível para a América em geral, mas trata-se de um crime de ódio”, disse Symone. “Como outras pessoas podem dizer que se trata de outras coisas antes disso?”

“O atentado tem de ser categorizado, em primeiro lugar, como crime de ódio”, disse ela no “The View”.

Omar Mateen jurou lealdade ao Estado Islâmico antes de levar a cabo o pior ato de terrorismo em solo norte-americano desde o 11 de setembro.

Outra complicação da narrativa de que o atentado foi um crime de ódio anti-LGBT é que Mateen – que também morreu durante o tiroteio da manhã do domingo – pode ter sido um homossexual. Ele visitou o clube Pulse e outros bares gays dezenas de vezes durante anos, usava um aplicativo de encontros homossexuais e chamou um colega do sexo masculino para um encontro.

“A verdade é uma pedra no caminho daqueles que tentam usar dessa tragédia para distorcer a realidade,” disse Stayer. “Lide com os fatos da tragédia e não os use para promover declarações falsas ou agendas políticas”.

A batalha política a respeito da causa dos atos da jihad (e de sua solução) perpetrados por fundamentalistas islâmicos nascidos nos EUA continua causando furor enquanto os dois partidos conduzem suas convenções em Cleveland e na Filadélfia neste verão.

A principal organização política homossexual do país, Human Rights Council, uniu os dois assuntos em uma resolução que pede uma legislação que inclua os indivíduos LGBT na legislação de direitos humanos e uma “reforma de senso comum com relação às armas de fogo nos Estados Unidos”.

“Acreditamos que os legisladores responsáveis por essas leis – com suas odiáveis e perigosas palavras e ações – eliminam proteções fundamentais e permitem que outros assediem, ameacem e aterrorizem as pessoas LGBTQ,” diz a resolução.

Alguns se opuseram à politização da dor.

“Agora, depois dessa calamidade, é hora de rezar e dar apoio”, disse Stayer. “Parem de usar dessa tragédia para promover interesses pessoais e agendas políticas”.