Cardeal Pell: acredito que o Sínodo ‘defenderá massivamente’ a tradição sobre a comunhão para os que se divorciaram e se casaram novamente

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Ao falar para uma reunião de mais de 120 líderes pró-vida internacionais e centenas de outros convidados em Roma no último sábado, o Cardeal George Pell afirmou acreditar que o vindouro Sínodo Ordinário sobre a Família “defenderá massivamente” os ensinamentos tradicionais da Igreja sobre a comunhão para os católicos divorciados e “recasados”.

“Cristo é muito claro sobre o divórcio… e não tão importante quanto – mas quase -, São Paulo é muito claro sobre as condições necessárias para uma recepção adequada da Comunhão”, disse ele. “Na verdade, acho que o sínodo denfenderá massivamente a tradição”.

O cardeal estava respondendo a uma pergunta feita após sua conferência sobre qual papel que os ensinamentos de São João Paulo II a respeito da família devem desempenhar na Igreja. “O ensinamento de São João Paulo II é o ensinamento da Igreja”, disse o cardeal. “Creio que os delegados (do Sínodo) reconhecerão que a tradição cristã de São João Paulo II, Bento XVI, o Concílio de Trento… eu não antevejo nenhum desvio”.

O Fórum Pela Vida em Roma foi lançado por LifeSiteNews em 2014 e agora é dirigido por Voz da Família, uma coalizão de dezenas de grupos pró-família e pró-vida. Líderes pró-vida reuniram-se por dois dias de sessões privadas para elaborar estratégias, antes de um momento público durante o qual o Cardeal Pell ministrou sua conferência.

O Cardeal Burke também esteve presente na sessão pública da tarde. Ele e Pell estão entre as vozes mais fortes que demonstram preocupação com o modo como o Sínodo Extraordinário sobre a Família de outubro – o prelúdio do vindouro Sínodo Ordinário – foi usado por aquilo que o Cardeal Pell chamou de um pequeno grupo de “radicais”, a afim de promoverem uma agenda para solapar os ensinamentos da Igreja.

Numa entrevista em outubro do ano passado, o Cardeal Pell havia alertado que a própria pressão pública para permitir que os católicos divorciados e “recasados” recebam a comunhão é apenas um “cavalo de troia”. Na realidade, disse ele, aqueles que estão por trás dessa pressão “querem mudanças mais amplas: reconhecimento de uniões civis, reconhecimento de uniões homossexuais”.

A pressão deles por “mudanças mais amplas” refletiu-se no hoje infame “relatório intermediário” do Sínodo Extraordinário, que sugeriu, em meio a outras passagens controversas, que os bispos queriam que a Igreja aprendesse a “valorizar e aceitar” a “orientação” homossexual, e incluiu a “proposta de Kasper” para permitir que os católicos divorciados e recasados recebam a comunhão.

“Embora esses parágrafos específicos tenham sido rejeitados por voto pelos padres sinodais, eles permaneceram no relatório final. O Cardeal Reinhard Marx da Alemanha afirmou que o próprio Papa Francisco mandou que eles permanecessem no documento final.

Esse documento será a base para as discussões do Sínodo Ordinário, gerando preocupação com uma reprise dos esforços para impulsionar mudanças.

As preocupações do Cardeal Pell com o Sínodo são especialmente dignas de nota, levando-se em conta sua posição como membro do “grupo dos 8”, um grupo de cardeais escolhidos a dedo pelo Papa Francisco para servirem como seus conselheiros mais próximos e como apoio aos seus esforços para reformar o Vaticano.

Em seu discurso de abertura para o Fórum pela Vida em Roma no último sábado, o Cardeal Pell falou sobre o tema dos pais como os melhores educadores dos filhos. Além de resumir os desafios atuais para a família, ele mencionou uma ironia na sociedade contemporânea. “Entendemos melhor do que há 50 anos que, se violamos as leis da natureza física… há consequências”, disse ele. Porém, ele acrescentou, “quase não encontramos reconhecimento público de que, se violamos a ordem moral natural, pode haver consequências humanas”.

O Cardeal Pell perguntou-se de forma retórica se não estamos “cavando nossas próprias covas” por meio da “eliminação das leis que defendem o ideal do matrimônio exclusivo e vitalício”.